Grupo de empresas e institutos brasileiros busca trabalho único no processo de identificação de metas globais e regionais de uso de TIC na educação
comentado por Fabio Tagnin em junho 29, 2009
(Matéria publicada no TIC Brasil Educação, de 29 de junho de 2009)
A criação de metas locais do uso de TIC na educação, relacionadas às metas do Todos Pela Educação e alinhadas a metas regionais (eLAC 2010) e globais (Agenda Global 2009 do Forum Econômico Mundial), é o objetivo de um Grupo de empresas e institutos brasileiros para fortalecer a educação no País. Trata-se do Grupo de Discussão de TIC na Educação, que tem como proposta construir um grupo de trabalho único que possa estabelecer metas e ações em educação, integrando o trabalho que vem sendo feito pelo Instituto para o Desenvolvimento e Inovação Educativa (IDIE) com indicadores, e consolidando a parte de educação do Fórum de Lideres Digitais (DLF), iniciativa do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da Intel Brasil. Nesse sentido, para dar continuidade ao trabalho de indicadores e metas de TIC na educação, a Intel realizará uma reunião de trabalho, no auditório da empresa, em São Paulo, na próxima quinta-feira (02). Estarão presentes representantes de todos os institutos e organizações, que vêm participando das discussões de uso de tecnologia na educação, tanto no âmbito do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) quanto nos grupos paralelos. Em entrevista à TIC Educação, Fabio Tagnin, Gerente de Educação da Intel Brasil, falou sobre a iniciativa e detalhou o que será discutido na reunião de trabalho do próximo dia 02. Tagnin falou ainda sobre a importância de mapear o relacionamento entre ações, indicadores, resultados e metas da educação. Segundo ele, muitos municípios não têm idéia de como realizar ações concretas para endereçar seus problemas e tirar proveito das oportunidades e programas oferecidos por organizações e empresas na área de tecnologia educacional.
TIC - De onde partiu a iniciativa da criação do Grupo de Discussão de TIC na Educação e o que será debatido na reunião de trabalho do dia 02 em relação aos indicadores e metas de TIC na educação?
Fabio Tagnin - A criação do grupo foi uma convergência de iniciativas de institutos e organizações. A Intel e o MBC organizaram, no Brasil, um Fórum de Líderes Digitais em dezembro de 2007, com uma segunda edição em 2008, em que participaram executivos de diversas empresas brasileiras, membros da academia, instituições e do Governo Federal. O então presidente do conselho da Intel, Craig Barrett, também estava presente, como representante do G@id (Global Alliance for ICT and Development), grupo da ONU ligado às iniciativas de desenvolvimento com o uso da tecnologia. O objetivo do fórum é fomentar a discussão de políticas públicas e ações estratégicas, que promovam a competitividade por meio do uso de tecnologia da informação e comunicação, criando sinergia entre os líderes locais, identificando oportunidades de parcerias público-privadas e estabelecendo um processo de acompanhamento dos avanços em ações concretas. A primeira edição teve foco muito grande em educação para a competitividade, enquanto a segunda abriu a discussão também para a capacitação profissional, inclusão digital, gestão pública e infra-estrutura. No início deste ano, a Intel e o MBC firmaram uma parceria para dar continuidade ao Fórum de Líderes Digitais, com foco em educação, inovação e gestão pública. Em paralelo, dando continuidade à discussão específica sobre educação, a Intel iniciou junto à Microsoft, Instituto Ayrton Senna e Instituto Crescer, um processo de identificação de metas globais e regionais de uso de TIC na educação, com base em discussões do Fórum Econômico Mundial e do eLAC 2010. Com esse processo, fomos convidados a nos juntar a um grupo maior, ligado ao GIFE, que também estava iniciando uma discussão de metas e indicadores de uso de TIC na educação, com base em um estudo iniciado pelo IDIE, criado pela OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura) e Fundação Telefônica da Espanha. Quanto à reunião do dia 02, o objetivo é unir esforços e consolidar um grupo único, com uma reunião de trabalho para construir uma proposta coletiva.
TIC - Como está o processo para a criação desse grupo de trabalho único, que pretende integrar o que vem sendo feito pelo Fórum de Lideres Digitais, pelo e-LaC e pela Agenda Global 2009?
Fabio Tagnin - O grupo cresceu e avançou no mapeamento de algumas ações locais, discutindo sua avaliação e contribuição para as metas do eLAC, inclusive junto a representantes do Ministério da Educação. Os estudos do IDIE também foram compartilhados com os institutos, que agora estão analisando as metas da Agenda Global 2009 do Fórum Econômico Mundial e sua possível contribuição para as cinco metas do Movimento Todos Pela Educação. O MBC ajuda na condução do processo, enquanto estabelecemos uma metodologia de atribuição de indicadores quantitativos e qualitativos que possam ser usados no acompanhamento das ações da rede pública de educação em direção às metas que serão estabelecidas.
TIC - Qual a importância de mapear o relacionamento entre ações, indicadores, resultados e metas da educação entre os diversos grupos?
Fabio Tagnin - Hoje, muitos municípios, mesmo com o seu PAR (Plano de Ações Articuladas), ainda não têm idéia de como realizar ações concretas para endereçar seus problemas e tirar proveito das oportunidades e programas oferecidos por organizações e empresas na área de tecnologia educacional. Há diversos projetos de eficiência comprovada sendo realizados em muitos deles, mas não há um guia ou manual de como melhorar a qualidade da educação e promover o desenvolvimento e a competitividade no País com TIC. Daí a importância de se ter a discussão, a articulação entre a academia, instituições e governos, para estabelecer um processo eficaz e equipado com instrumentos de acompanhamento, que possa ser adotado pelos municípios e estados na condução de um plano de estímulo à melhoria da educação de crianças, jovens e adultos. É interessante notar que essa discussão não está acontecendo só no Brasil, mas em muitos outros países, em âmbitos regionais e até global. Há diversos Fóruns, Congressos, Organizações, Universidades e outros grupos tentando medir a eficiência do uso de tecnologia no aprendizado, e há diversos tipos de tecnologias sendo empregados em modelos, na maioria das vezes, muito distintos, tornando difícil a mensuração e comparação de resultados. Não temos a ambição de descobrir o caminho certo, mesmo porque entendemos que pode haver vários deles, mas sim de dar à sociedade brasileira a oportunidade de crescer por meio de medidas coerentes, de eficácia comprovada e alinhadas a um norte muito bem definido pelo Movimento Todos Pela Educação.
TIC - No cenário da sociedade da informação, qual a importância de unir setor privado, sociedade civil e governos para a construção de uma sociedade da informação inclusiva e voltada para o desenvolvimento?
Fabio Tagnin - Ações desarticuladas podem até imprimir efeitos benéficos localizados, mas não têm a força de mudar a sociedade e promover o real crescimento em direção ao desenvolvimento. Quando se junta o setor privado, com suas ações de responsabilidade social corporativa, à sociedade civil e aos governos igualmente responsáveis, está se buscando uma unidade coesa que tenha metas determinadas e o compromisso de atingi-las, trabalhando em políticas públicas voltadas ao desenvolvimento. Uma parte cobra a outra, empurrando o processo para a frente e unindo recursos para a inclusão dos cidadãos na sociedade do conhecimento. Os problemas localizados passam a ser parte de uma consciência coletiva, que contribui para sua solução. Hoje, se fala muito em inovação como motor do desenvolvimento, e é isso que buscamos nessas parcerias: a disseminação do conhecimento para a construção de mais conhecimento, o fomento à criatividade para gerar inovação e, quem sabe, chegar a resolver alguns problemas graves da nossa sociedade, como a pobreza, a exclusão, a exploração descontrolada do meio-ambiente e, claro, a qualidade do processo de ensino e aprendizagem.
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