O que o Fórum Econômico Mundial recomenda?
comentado por Adriana Machado em abril 20, 2009
De 14 a 16 de abril realizou-se no Rio de Janeiro a reunião do Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina. Apesar das discussões focarem no atual momento econômico e nas incertezas associadas a ele, buscou-se destacar a grande oportunidade que vivemos de profunda transformação de nossos valores, comportamento e políticas públicas para promover um ciclo de desenvolvimento sustentável para a região.

Ao discutir como tecnologia da informação pode ajudar, além do habitual reconhecimento de que o uso de tecnologia tanto para o setor privado como para o setor público aumenta produtividade e competitividade, houve destaque para o aspecto social atrelado à sociedade do conhecimento. Tecnologia associada à educação é peça-chave para a criação de um ambiente colaborativo, base desse novo modelo de sociedade em que vivemos. Entretanto, faz-se necessário o desenvolvimento da infraestrutura adequada para aumentar o acesso à internet, e a aceleração da oferta de banda-larga é prioridade máxima. Há que se implementar medidas de estímulo econômico para aumentar a disponibilidade e reduzir o custo da banda larga e consequentemente aumentar a inclusão digital.
Educação é base para inovação, palavra de ordem em momentos difíceis, mas também condição “sine qua non” para a sobrevivência das empresas, dos negócios em qualquer momento. Constam da Agenda Global do Fórum Econômico Mundial para 2009 recomendações específicas para a transformação da Educação com uso de tecnologia. Além de propor a eliminação de barreiras estruturais, destaca-se a importância de facilitar a ligação doméstica e internacional entre instituições para tornar o conteúdo digital mais acessível; a oportunidade de tornar o aprendizado mais atraente e efetivo com o uso de novas tecnologias que permitam simulações, animações, jogos virtuais e o networking social; e a necessidade de capacitar professores e incentivar líderes educacionais a adotarem novos modelos de aprendizagem. Essas propostas podem ser de extrema importância no Brasil, onde, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas de 2008 sobre evasão escolar, 40.1% dos jovens de 15 a 17 anos que deixam a escola o fazem por falta de interesse.
Questões como empreendedorismo e diversidade também tiveram espaço no encontro do Rio. Partindo da premissa de que a baixa qualidade dos sistemas de ensino da maioria dos países da América Latina inibe inovação e empreendedorismo, e que estes são elementos essenciais para o novo ciclo de desenvolvimento na região, o Fórum recomendou que haja investimentos para transformar o sistema educacional, criar um ecosistema empreendedor, e apoiar o uso efetivo da tecnologia como fator de sustentação e escala da economia desses países. Quanto à diversidade, acredita-se que mais diversidade significa aumento de produtividade e capacidade de inovação, ou ainda, que grupos diversificados são mais eficázes na solução de problemas que grupos homogêneos.
Como conclusão do workshop sobre como desenvolver o talento feminino, discutiu-se o fato de que a exclusão das mulheres da força de trabalho é uma perda para os negócios e para a sociedade e que a transformação desse cenário deve se dar pela educação e pela implementação de legislação que garanta creches, horário de trabalho flexível e licença maternidade/paternidade. Capacitação, mentoria, política de remuneração igualitária para homens e mulheres, também foram considerados facilitadores do processo. De fato, é preciso disseminar o entendimento que as mulheres podem desempenhar papéis de liderança e promover as condições necessárias para que essa liderança aconteça sem prejuizo para a família. Só assim teremos não apenas mulheres se destacando na economia, mas também na política, que é o maior desafio para o Brasil com base no Relatório Global sobre a Lacuna de Gênero - Global Gender Gap Report de 2008, um dos vários relatórios que serviram de base para as discussões.
Como disse o Presidente Lula na abertura do evento, “essa crise precisa de soluções políticas”. Disse ainda que devemos “ir além das mudanças emergenciais e não postergar soluções profundas”. Soluções essas que passam pela parceria com o setor privado, mas que dependem de políticas públicas que busquem desde resolver os desafios de infraestrutura, igualmente importante a digital, a melhorar a educação e oferecer oportunidades iguais a homens e mulheres.
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