Fórum Mundial na América Latina discute como educar a nova geração empreendedora
comentado por Fabio Tagnin em abril 20, 2009
“O empreendedorismo nunca foi tão importante quanto nessa época de crise financeira.” É assim que começa a chamada para a oficina de empreendedorismo realizada no Fórum Econômico Mundial para a América Latina 2009, realizado no Rio de Janeiro de 14 a 16 de abril. Durante o evento, assistido por líderes regionais dos setores privado, público e organizações sem fins lucrativos, foram discutidos diversos temas ligados à crise mundial, mas um deles teve atenção especial, o problema do empreendedorismo na América Latina.
Segundo relatórios apresentados, mais de 72 milhões de crianças na idade da escola primária, 4 milhões só na América Latina, estão hoje fora da escola. 55% dessas crianças são meninas, e na América Latina são 53%. Essa falta de oportunidades, de recursos e de oferta é piorada no continente americano pelo tempo levado para se iniciar um negócio: 65 dias em média, quase três vezes mais do que em países de economia mais avançada. Se combinarmos isso com o fato histórico de que nenhum país chegou a atingir um rápido e contínuo crescimento econômico sem que antes 40% de sua população adulta estivesse apta a ler e escrever, temos um quadro que precisa imediatamente ser revertido.
Foi com essa base que iniciamos as discussões sobre os maiores problemas da educação empreendedora na região. Cerca de 60 líderes regionais, incluindo empreendedores sociais do terceiro setor, dividiram sua atenção entre a educação primária, secundária, terciária e continuada, para buscar recomendações que pudessem ser seguidas se, em 2020, quisermos ter resolvido o problema básico da educação no que tange à iniciativa criativa, empreendimentos inovadores e novas habilidades a serem desenvolvidas nos jovens de nossa sociedade.
Entre as principais conclusões estão a importância de se criar parcerias público-privadas dentro de um ecosistema educacional, envolvendo lideranças de governo, sociedade civil, universidades e empresas em iniciativas com objetivos claros, metas mensuráveis e programas abrangentes e escaláveis. As empresas precisam ter um papel cada vez maior em sua responsabilidade social, na contribuição de recursos, na construção de currículo e com representantes que sejam vistos como modelos exemplares de inspiração para nossos jovens.
Os governos precisam criar incentivos fiscais, contribuir com empréstimos especiais, e apoiar programas nacionais para mudar o modelo educacional vigente. Devem também propor mudanças legislativas para diminuir o tempo levado para se abrir um negócio e promover assim a iniciativa empreendedora e também o empreendedorismo social. Em seus sistemas curriculares, necessitam incluir valores éticos, de cidadania, transparência e atitude comportamental, para formar o caráter de seus alunos.
E finalmente o papel do professor precisa mudar. De simples agente transmissor de conhecimento, o professor precisa passar a ser um mediador, um catalizador no processo de aprendizagem, fazendo com que os jovens aprendam a aprender. É preciso apoiar a aprendizagem experiencial dentro e fora de sala de aula, com ferramentas tecnológicas, laboratórios e vivência, envolvendo atividades de colaboração, incentivando a análise crítica, e a resolução efetiva de problemas do cotidiano. É necessário e imprescindível que se use a tecnologia disponível na formação dos professores, para que eles estejam preparados para serem os agentes de mudança no sistema educacional do século XXI.
Com esses investimentos na formação de professores, na movimentação da sociedade civil, envolvendo pais e mestres nessa mudança do sistema educacional, acreditamos que podemos incorporar a inovação e a criatividade de volta na educação básica, tornando nossos jovens mais críticos, mais preparados, e mais empreendedores.
Desde 2003, o Fórum Econômico Mundial tem uma iniciativa educacional, chamada Global Education Initiative (GEI). Em 2007 ela mudou seu foco, que era em alguns países apenas, para uma escala mundial, realizando uma parceria com a UNESCO para codificar, socializar e catalizar o uso de parcerias múltiplas na educação (MSPE, de Multistakeholder Partnerships in Education), e abrindo uma aliança educacional global (Global Education Initiative)para implementar esses modelos de parcerias múltiplas no apoio à Iniciativa Rápida de Educação Para Todos (Education For All Fast Track Initiative), uma coalizão global de US$ 1,2 bilhões, onde doadores em diversos países têm o objetivo comum de implementar a Educação para Todos das Organizações das Nações Unidas (EFA, de Education for All) e as metas de desenvolvimento do milênio (MDG, Millenium Development Goals) na educação (veja abaixo).
Um resumo das recomendações da oficina pode ser encontrado aqui.
Veja também um vídeo mostrando o status da Global Education Initiative em 2008 aqui.
Comentários (0)
Outros posts com as tags: empreendedorismo, wef, worldeconomicforum


