O papel das mulheres
comentado por Adriana Machado em março 10, 2009
Em 8 de março comemoramos o dia internacional das mulheres e muitos, principalmente no Brasil, se perguntam por quê? Pode ser que vivamos uma realidade que valorize a diversidade e em que não pese tanto a discriminação, mas somos privilegiados se temos uma vida assim. Muitos ainda são os relatos de violência e desigualdade e grande o potencial de transformação social que tem a mulher.
Mas qual a ligação com educação digital? No mínimo porque cerca de 2/3 dos adultos analfabetos no mundo são mulheres, mas também porque as mulheres ainda representam apenas 30% dos formados em cursos de ciência e tecnologia e da força de trabalho em tecnologia de informação. Quando falamos em usuários de internet, o número sobe para 42% de mulheres, mas mesmo assim percebe-se a assimetria.
Observando o Global Gender Gap Index 2008 da ONU, um ranking que avalia a diferença existente entre homens e mulheres em 128 países, o Brasil tem um desempenho peculiar. Na avaliação geral, estamos na posição 73, mas temos uma visão mais precisa do que nos falta quando observamos as suas 4 dimensões: (1) Participação e oportunidade econômica - posição 59; (2) Acesso a Educação - posição 1; (3) Saúde e expectativa de vida - posição 1; e (4) Participação no processo de tomada de decisão política - posição 110.
Na primeira dimensão, pesa a diferença de remuneração para a mesma função entre homens e mulheres no Brasil. Esta talvez seja a forma mais evidente e mais comentada de discriminação no país, que venceu as barreiras salientadas nas dimensões 2 e 3 ao oferecer acesso a educação e saúde independente do gênero. Entretanto, o que chama atenção, de fato, é estarmos na posição 110 da quarta dimensão: que avalia a quantidade de mulheres em cargos ministeriais ou como presidente ou primeiro-ministro de um país e também no parlamento. Novamente, qual a ligação com educação digital? Quando falamos de educação digital, falamos da oportunidade de desenvolver as habilidades necessárias para a solução dos problemas do século XXI, ou seja, desenvolver pensamento crítico, criatividade e inovação, comunicação e colaboração por meio do uso de tecnologia da informação e comunicação (TIC). Não basta oferecer acesso a educação, é preciso que a educação seja de qualidade. É preciso que as mulheres continuem se preparando para enfrentar o mercado de trabalho e exercer cargos públicos, mas sem medo de participar efetivamente do diálogo global, de se engajar em comunidades de lideranças femininas para trocas de experiências e a internet pode favorecer isso.
A educação em sua forma digital pode ser uma bela oportunidade para suprir aspectos que facilitarão o melhor desempenho nas dimensões 1 e 4. Este é um caminho para redução da distância entre homens e mulheres, para a verdadeira inclusão. A inclusão que permite à mulher se tornar mais competitiva e exercer com propriedade o papel de agente de transformação social, de construção de prosperidade e paz mundial.
Comentários (1)
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Comentários
março 15, 2009 | Marta Voelcker disse:
As TICs possibilitam tanto à educação quanto ao trabalho irem além das fronteiras da sala de aula ou do ambiente profissional. É evidente nos jovens que possuem acesso a computadores e internet em casa, um aprendizado muito mais rico e intenso. Desde as habilidades para uso das TICs, o uso de multiplas fontes de informação até a possibilidade de confrontar pontos de vistas com os diversos colegas (quando toda turma pesquisa em um mesmo livro, não surgem diferentes pontos de vista, limitando o debate e o aprendizado). Mas não é só a nova geração que se beneficia. A mãe trabalhadora ganhou em flexibilidade e qualidade. Laptop com wire less dentro de casa permite responder e-mail ao lado do filho que faz a lição. A prestação de serviços, o trabalho autônomo, ou mesmo a felxibilidade de várias empresas atuais, permite opções tipo: assisto a aula de futebol do filho e redijo o projeto a noite, levo o filho ao médico no meio da tarde e escrevo a proposta no fim de semana. Pode parecer uma grande confusão, mas é conquista, é oportunidade de participar da sociedade produtiva e estar presente. Na era agrícola os pais trabalhavam muito próximo aos filhos, dentro de casa ou na plantação próxima, eram muito influentes em sua educação. Já a era industrial, levou o trabalho para longe de casa e trouxe um enfraquecimento na transmissão de valores das familias. Já a era da informação volta a trazer flexibilidade de estar mais perto dos filhos e servir de exemplo, os filhos começam a ter alguma noção do que é o trabalho da mãe, respeitá-lo e até adimirá-la por exercer tal ofício. Existe o perigo de virar workaholic a não largar mais o laptop dentro de casa! Mas com um pouco de gestão tudo se resolve. Aqui em casa eu ja fiz o teste, o pequeno, 9, prefere que eu esteja em casa, mesmo sem poder estar com ele, do que eu tenha que passar todo o dia fora, já os maiores de 14 e 15 eu noto que o fato de me verem trabalhando ou estudando é positivo, eles acabam sendo mais estudiosos com isso!
É certo que nem toda profissão oferece essa oportunidade, mas a maternidade, fator que mais afasta a mulher do trabalho, pode ser tomada como um período da carreira mais reflexivo, onde se opte por atividades que exijam leitura e proposição. Se ligar no diálogo global e nas inúmeras formas que a tecnologia nos oferece para exercer liderança e construírmos um mundo melhor.