Reunião de trabalho da Fase I dos Experimentos do UCA
comentado por Fabio Tagnin em dezembro 3, 2008
Nos dias 27, 28 e 29 de novembro aconteceu em São Paulo a Reunião de trabalho da Fase I dos Experimentos do UCA (Um Computador por Aluno). O UCA é o projeto do Governo Federal - Presidência da República e Ministério da Educação -, que visa implantar e analisar um modelo de educação básica em que cada aluno possua um computador portátil, para ser usado como ferramenta em seu processo de aprendizagem, com o objetivo de fomentar uma mudança sistêmica e aumentar a qualidade da educação no País. O evento abriu espaço para discussão das experiências e interação entre todos os envolvidos nos cinco experimentos acontecendo em escolas no Brasil desde o ano passado - em Brasília/DF, Palmas/TO, Piraí/RJ, Porto Alegre/RS e São Paulo/SP.
No evento foram apresentadas as visões dos cinco experimentos, que receberam equipamentos de diferentes marcas, em diferentes quantidades, e adotaram modelos distintos de abordagem educacional. Representantes de cada escola explicaram à audiência, composta de professores, alunos, gestores técnicos, membros de empresas e governo, um pouco da história das escolas antes e depois da implantação do modelo 1:1. Houve espaço para que os alunos das cinco escolas se reunissem e discutissem suas experiências, tirando conclusões sobre os problemas enfrentados, suas motivações para com o projeto, suas realizações e visões de futuro. Uma das conclusões entre os alunos, de 4ª ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, foi a possibilidade de maior desenvolvimento pessoal e geração de oportunidades futuras pela assimilação das ferramentas de TIC no processo de ensino e aprendizagem.
Foi destacado também, entre os professores e coordenadores pedagógicos, que há uma maior facilidade de acesso a informações quando se tem um computador conectado à internet em mãos durante as aulas. A busca por informações torna-se mais rápida e mais abrangente, abrindo espaço para um aprofundamento dos temas, para a geração de discussões sobre assuntos interligados e para a construção de conhecimento coletivo e individual, realizada por caminhos diferentes, de acordo com a percepção de cada aluno. Os professores também mencionaram que, ao sugerirem novos projetos, os alunos realizam pesquisas diferenciadas, analisam e apresentam suas conclusões, e aprendem com a mediação do professor nesse processo, muitas vezes sem a intervenção instrutivista específica de uma aula comum.
Ao trabalharem em grupos, cada um com seu netbook, os alunos passaram a pedir e dar mais ajuda aos colegas, a compartilhar seus conhecimentos com a turma e a analisar e julgar com maior profundidade a origem das informações consultadas, “sem abandonar os livros”, como disse um deles. Nesse processo, os professores assumem que passaram a aprender mais com os alunos, através de uma interação maior e maior abertura para a discussão de temas transversais.
Com a disponibilidade do acesso à rede, todas as escolas passaram a usar ambientes online colaborativos como ponto de encontro para a colaboração, cooperação e comunicação entre os diferentes agentes, alunos e professores, pais e coordenadores, comunidade e gestores. E passou a existir nas escolas uma divulgação mais imediata e perene dos trabalhos ali realizados, através do uso de recursos gráficos, animações e simulações eletrônicas de fenômenos reais, algumas até bem avançadas, com o uso de robôs de Lego® controlados pelo computador.
Mas isso tudo aconteceu sob ambientes mais ou menos controlados. O grande desafio agora é a expansão do programa experimental a um piloto com mais escolas. Entre os problemas que serão enfrentados está a infra-estrutura de rede sem fio e conexão com a internet, o acesso a aplicações e material pedagógico, e a re-construção do currículo com a inserção do ferramental eletrônico como apoio a novas possibilidades de aprendizagem. Isso sem contar com o preparo dos professores para usar a tecnologia de modo eficiente dentro e fora da sala de aula, sempre de olho na inclusão digital como fator de mudança na qualidade da educação.
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