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Educação Digital e Desenvolvimento Humano

comentado por Adriana Machado em setembro 15, 2008

Rico em conceitos e inovador na abordagem, merece atenção o relatório recém lançado pela CEPAL, PNUD e OIT chamado “Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente: A Experiência Brasileira Recente”.

Começo por destacar o conceito de desenvolvimento humano apresentado: “processo de expansão das escolhas e das capacidades individuais, de tudo aquilo que a pessoa pode fazer e ser na sua vida”. “A verdadeira riqueza de uma nação é o desenvolvimento humano de seus cidadãos”.

Ainda segundo o estudo, foi em função dessa perspectiva que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado levando-se em conta não apenas a dimensão econômica da renda, mas também educação e longevidade.

Também merece destaque a seguinte constatação: “o desenvolvimento, em seu conceito mais amplo, deve ter como metas erradicar a pobreza e enfrentar decididamente a exclusão social; construir um ambiente social de maior segurança e confiança mútua; consolidar uma ordem política democrática com mais participação das pessoas na gestão e nas decisões públicas; difundir o bem-estar a quem tem menos acesso aos benefícios da modernidade; concretizar-se em projetos coletivos em que os cidadãos adquiram um maior sentido de compromisso e pertinência em relação à sociedade em que vivem; e buscar a proteção e a melhoria do meio ambiente tanto para os indivíduos de hoje quanto para as próximas gerações.” Sendo assim, “o desenvolvimento integral passa, portanto, pela busca simultânea de desenvolvimento humano, eqüidade e trabalho decente, conceitos interdependentes e que se reforçam mutuamente.”

Poderia continuar destacando muitas outras partes extremamente interessantes do estudo, mas chamou-me atenção especialmente as observações relativas ao impacto das novas tecnologias de informação e comunicação em relação ao Brasil. Ao concluir que as novas tecnologias aumentam a procura por mão-de-obra qualificada, valorizam habilidades até então pouco exploradas - como a capacidade de raciocínio abstrato - o que requer pessoal com maior escolaridade e capaz de lidar com novas ferramentas que mudam continuamente, afirma que “o Brasil está em posição favorável para explorar esse potencial, graças aos investimentos públicos e privados em educação superior e em infra-estrutura de telecomunicações.”

Em suma, é preciso promover emprego de qualidade e, para tanto, é fundamental incorporar os benefícios que a era digital pode trazer para a educação. Acesso a educação de qualidade e articulação de políticas econômicas e políticas socias que favoreçam a ampliação da competitividade da economia para inserção no mercado global com desenvolvimento sustentável. Não se trata de receita nova, mas os dados apresentados ajudam a reforçar a tese e nos inspiram a prosseguir nessa direção.


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