Computação na Nuvem
comentado por Bruno Domingues em setembro 7, 2009
Um tema que está bastante em voga nos últimos anos tem sido “cloud computing”, ou computação na nuvem. Definições existem várias, cada vez que vejo uma apresentação a respeito do tema encontro sempre facetas novas para essa definição, portanto não tenho a mínima pretensão aqui de incluir mais uma definição resumida em uma frase ou poucas palavras, mas de fato ela está já está presente na nossa vida, mas de longe de ser a salvações de todos os problemas de TI.
Em “Big Switch” (o que é uma referência literária), Nicholas Carr faz uma introdução magistral a respeito do tema realizando um paralelo com o desenvolvimento do negócio, energia elétrica: Henri Ford, com seu revolucionário modelo de linha montagem, havia construído uma fábrica no inicio do século XX onde se aproveitava a energia hidráulica de um rio que passava ao lado para movimentar sua linha de montagem, era o estado da arte na ocasião, porém a fabrica precisava se adequar as condições que a natureza apresentava… até que Thomas Edison popularizou a geração de energia elétrica com a GE, vendendo geradores para empresas e prestando consultoria para sua instalação, operação e manutenção (alguma semelhança com o modelo atual de TI?). Depois deste evento, uma gama enorme de possibilidades se abriu para as fabricas e empresas que podiam pagar para ter esse benefício, foi uma revolução.
O mundo mudou para alguns, mas a Standard Oil ainda vendia querosene iluminante para as residências, pois não eram os trabalhadores nem a classe média que tinham condições econômicas de ter seu próprio gerador, ou seja, a energia elétrica não estava popularizada, e a revolução do gerador não atingiu todo. As redes elétricas como as que conhecemos hoje, que de fato foi a grande revolução, só foi possível com o advento da Corrente Alternada por Nicholas Tesla, que permitia transmitir energia por longas distâncias com baixa dissipação térmica e perda no percurso, em relação a Corrente Contínua fornecida pelos geradores.
A grande revolução não foi o gerador, mas a Corrente Alternada e o modelo de negócio de fornecimento de energia como uma utilidade que permitiu fornecer energia a baixos preços para quem dela necessitasse. Aqui você já deve ter uma pista de onde eu quero chegar, assim como foi para a energia elétrica, esta para a computação. Somente com capacidade de acesso, banda larga, modelo de negócio onde se ganha em escala, é capaz de fornecer o serviço de “processamento” a preços baixos.
O interessante deste contexto, é que alguns administradores já imaginam num futuro pagarem TI pelos que consumirem de seus fornecedores na nuvem, mas o mais interessante foi a visão do outro lado do balcão, de quem presta o serviço na “nuvem”, descrevendo a nuvem como os usuários do seu sistema, ou seja, o cliente de seus clientes, porque muitas vezes o seu cliente hospeda os servidores na nuvem pensando em elasticidade, não se preocupando como poderia no planejamento de capacidade, como quem oferece o serviço poderá estimar de cada um dos seus clientes, por isso a nuvem as avessas.
A idéia que queria deixar, é que computação na nuvem não exime de fazer planejamento de capacidade, mas sim ter mais flexibilidade operacional para crescer quando precisar.
Abraços e até a próxima.
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