A Lei de Moore ainda é válida?
comentado por Bruno Domingues em janeiro 21, 2008
Com alguma freqüência alguém me pergunta:
- Nos dias de hoje, a Lei de Moore ainda é válida?
Moore, que foi um dos co-fundadores, de Intel “profetizou” que o número de transistores em um processador dobraria a cada 18 a 24 meses ao mesmo custo, e isso foi em 1965 ou seja, uma escala exponencial, e para o leitor mais atento, sabe o poder de subestimar funções exponenciais, haja vista que na lenda sobre a invenção do xadrez, o rei perdeu o seu trono por subestimar o resultado da soma de 1+2+4+8+16… e assim por diante, sendo que cada termo representa uma casa do tabuleiro de xadrez, totalizando 64, pois seria o pagamento em grãos pelo novo jogo, só que o resultado foi de 1,84x10^19, ou seja nem em centenas de anos o rei poderia pagá-lo e portanto teve que entregar o seu reino, foi a ironia da lenda, pois neste caso o rei levou um “cheque mate” de alguém mais perspicaz que lhe tomou o reino em pagamento.
Trazendo a Lei de Moore para a perspectiva atual, iniciando com o Intel 4004 em 1971, onde se tinha magníficos 2300 transistores em uma única pastilha de silício, e hoje com o Itanium 2 que possui 1,7 bilhões de transistores, fazendo portanto a conta de 1971 com 2300 transistores até o ano de 2007 em intervalos de 24 meses, temos a seguinte seqüência:
Ou seja, 602.931.200 transistores, que é inferior aos 1,7 bilhões do Itanium, logo a resposta curta é: Ainda é válido, como vocês podem conferir no gráfico logarítmico:
Porém, quem dera se o desafio fosse apenas conseguir colocar mais transistores em uma mesma pastilha… quando se faz isso a dissipação térmica também aumenta na mesma proporção, conforme vocês podem observar:
Só para se ter uma idéia, a dissipação térmica (W/cm^2) de um Pentium 4, por exemplo, é próximo do núcleo de um reator nuclear, e se continuássemos a fazer processadores da mesma forma, num futuro não muito distante, teríamos um processador com dissipação térmica próxima a da superfície solar, e com certeza consumindo “bastante” energia… ou seja algo impraticável de se imaginar
A natureza deste problema está no fato de que quando aumentamos, por exemplo, em 20% a freqüência do processador, aumentamos apenas em 13% o seu desempenho e como efeito colateral, também passa a consumir 73% mais energia, e quanto mais transistores na pastilha, mais energia é dissipada e assim ia a relação, ie. Aumento logaritmo para o desempenho que nos interessa e exponencial para consumo, que é o oposto do que desejamos. Pois bem, como resolver esse impasse e ainda entregarmos sempre desempenhos melhor?
O bom da regra de overclocking é que ela funciona às avessas quando se fazer o under-clocking, ou seja, reduzindo a freqüência em 20%, perdemos apenas 13% de desempenho e reduzimos em 49% o consumo de energia!!! Ou seja, e se reduzíssemos em 20% o clock e colocássemos dentro da mesma pastilha dois processadores:
Teríamos um processador de dois núcleos com 73% mais desempenho e consumindo praticamente a mesma coisa (~2% mais energia). Somando-se a estratégia de lançar processadores de múltiplos núcleos, a arquitetura interna do processador também é importante, pois a eficiência de execução de instruções por ciclo de CPU influência diretamente o consumo e o desempenho, tanto que os processadores da arquitetura Core conseguem desempenho superior aos da microarquitetura “Netburst” (anterior) com o clock muito inferior.
Com essa estratégia em mente e o desejo de continuar entregando a melhor relação desepenho/Watts, que a Intel tem o compromisso com o RoadMap de melhorar sempre, em um ano microarquitetura, no ano seguinte a miniaturização, e assim por diante:
Em 2007 lançamos os primeiros processadores para servidores fabricados com a tecnologia de 45nm (o que foi um tremendo desafio) e 2008 é o ano do Nehalem, que é o nome código da nova microarquitetura, que permitirá um outro passo importante, para manter viva a Lei de Moore.
Comentários (6)
Outros posts com as tags: consumodeenergia, desempenho, leidemoore, processadores


Comentários
janeiro 21, 2008 | daniel disse:
o que o Nehalem vai trazer de novidade em relação aos processadores atuais, além da limiarização?
janeiro 22, 2008 | Bruno Domingues disse:
Ola Daniel, Obrigado pelo interesse no assunto. De fato o Nahalen terá um grande impacto positivo no desempenho e no consumo de energia para a próxima geração de processadores, uma das grandes mudanças será a mudança não só da micro-arquitetura da CPU mas também do chipset da máquina pelo fato de estarmos migrando o controlador de memoria do chipset norte para dentro do processador. Nos visite na próxima semana, que este é o tema do proximo post.
Abraços! —bruno
janeiro 30, 2008 | Rodrigo disse:
Quer dizer que o Nahalen vai migrar o chipset norte para dentro do processador????? Qual sera o ganho de desempenho ou vantagens???????? Por favor se puder me responder por e-mail tb agradeço!! T+
fevereiro 8, 2008 | Adao Braga disse:
E o espaço do Chipset Nort terá alguma nova função agregada ou algum novo componente?
fevereiro 9, 2008 | Bruno Domingues disse:
Ola Rodrigo e Adão, Como a pergunta de vocês são bem parecidas, vou tentar responder em uma mensagem só:
Não, o chipset norte não será migrado para dentro da CPU, AINDA, no Nahelen apenas o controlador de memoria, porém é preciso lembrar que o controlador gráfico também está presente nele, e ao mesmo tempo há uma série de outras funções que também vem sendo incorporada aos chipsets, por exemplo nas placas com chipset Q965 e mais atual o Q35 (vPRO), existe praticamente um sistema operacional inteiro nele, com suporte a criação de um Virtual Appliance (aka. Hypervisor), filtro heuristico de trafego de rede, capacidade de redirecionamento de IDE para uma console remota, permitindo desta forma que se inicialize a máquina por uma mídia (CD, disquete ou arquivos .ISO/.IMG) em outra estação, alem de recursos embarcados em hardware para autenticação em redes seguras (ie. 801.1x, NAP, NAC), suporte ao kerberos, etc.. etc… para as arquiteturas futuras, deverá existir maior especialização, placas onde CPU, chipset (norte e sul) seja um único silicio, pois é interesse para aplicações como a Urna Eletrônica ou sistemas embarcados, com arquitetura x86 :), bem como sistemas ultra-especializados, onde dentro da CPU haja núcleos especializados… do tipo em uma maquina com 80 nucleos, tantos podem ser x86 generico, tantos outros podem ser para criptografia, calculo de ponto flutuante, etc… existem muitas possibilidades, e pode apostar!!! estamos trabalhando em todas elas!
Boa Noite e Obrigado pelo interesse.
janeiro 5, 2010 | jonathan disse:
Cara ví q entende muito de processadores , pode me ajudar com isso , o inicio da minha carreira depende disso ….
jhownovo@gmail.com
me responda pf !