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A evolução do software está acompanhando o hardware?

comentado por Reinaldo Affonso em agosto 23, 2007

Em junho participei de um debate sobre tecnologias para mobilidade e uma pergunta do público presente foi: “Quando teremos novas formas de interagir com o computador e quando comandos de voz e outras alternativas seriam realmente aplicadas no nosso cotidiano”. Não sei dizer quando novas alternativas serão efetivas e largamente aplicadas, mas tenho convicção que o hardware tem avançado rapidamente e está muito próximo disso, o mesmo não acontece com o software. Principalmente com o advento de múltiplos núcleos nos processadores.

Lembrei dessa pergunta em função de um artigo que foi publicado na Folha de São Paulo do dia 15 de agosto que alertava para o desafio da indústria de software em tirar proveito das novas tecnologias que os processadores tornaram populares.

Dois dos grandes desafios para a indústria de software nesse novo “mundo multi-core”: repensar a forma de desenvolver a aplicação e rever o modelo de licenciamento que para servidores pode significar uma grande diferença na competitividade.

No passado quando uma aplicação precisava melhorar o desempenho era fácil encontrar um hardware mais rápido e resolver o problema, porém com a mudança no paradigma de como o processador evolui saindo de um único núcleo de alto desempenho para múltiplos núcleos que consomem menos energia podendo ser mais lentos individualmente, porém muito mais rápidos trabalhando em conjunto. Com isso se a aplicação não for otimizada para trabalhar com várias operações simultâneas o resultados final pode ficar aquém do esperado. Quando digo que pode (não necessáriamente fica) é porque várias aplicações são executadas ao mesmo tempo incluindo funções de segurança e do sistema operacional o que irá beneficiar-se dos múltiplos núcleos de processamento. O cenário ideal é rever o modelo de desenvolvimento para incorporar o conceito de paralelismo como já fazem algumas aplicações. Empresas que tem desenvolvimento próprio precisam rever rapidamente o modelo de desenvolvimento e incorporar o paralelismo para garantir um melhor desempenho das aplicações.

O novos processadores multi-core oferecem aumento de desempenho com economia de energia, então por que não adotar já para todas as aplicações? Aí entra o segundo desafio já que algumas empresas de software fazem o licenciamento de seus produtos por núcleo. Um cliente aqui do Brasil estava avaliando servidores para implementar uma solução de ERP e os processadores com quatro núcleos ofereciam o melhor desempenho e capacidade de expansão futura, porém quando levantou o custo das licenças do banco de dados a diferença era muito maior que o valor dos servidores em função do licenciamento ser por núcleo e não por processador.

Muitas empresas de software já reviram o modelo e estão licenciado o software por processador ou criando formulas redutoras que reduzem o impacto, mas em algum casos isso ainda é um problema para os clientes.

Até o próximo!


Comentários (7)
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Comentários

agosto 31, 2007  |  Henrique Fernando disse:

Ótima máteria. Não sabia que empresas de softwares cobram sua licença por núcleos pensei que fossem apenas por processadores. Eis uns dos vários motivos que levam a plataforma de Software de livre crescer, pois numa ocasião dessa ao se comprar os custos vê enxergar uma larga diferença no investimento.

agosto 31, 2007  |  Reinaldo Affonso disse:

Obrigado Henrique! Várias empresas tem adotado software livre como parte importante das soluções. É importante considerar o conjunto: funcionalidade, performance e o custo de propriedade (aquisição, suporte, treinamento, …). No caso de desenvolvimento com software livre continua crítico rever a forma de construção das aplicações para incluir o paralelismo ou com as novas arquiteturas de processadores as aplicações poderão ter problema de performance. Abraços!

setembro 6, 2007  |  René Ribeiro disse:

Acredito que as empresas de software terão que mudar sim. Pois imagine quando os processadores chegarem a 8 ou 16 núcleos…

setembro 8, 2007  |  BlogTec disse:

A indústria de software terá dificuldade em acompanhar o ritmo do hardware, especialmente nas aplicações home mais comuns. Pegar um software projetado para single processor, otimizar para uso em multi-core demanda investimentos. Dependendo do software, torna-se inviável uma atualização constante no mesmo ritmo do hardware.

setembro 12, 2007  |  Maysa disse:

Não sabia que se cobrava por núcleo tb… O hardware evolui numa velocidade muito superior a dos softwares.

Maysa

setembro 14, 2007  |  Reinaldo Affonso disse:

O modelo de licenciamento dos ISV tem mudado e se adaptado as tecnologias de hardware atual, mas em alguns casos isso ainda impacta muito os custos e deve ser avaliado na hora de decidir por uma solução. Abraços!

setembro 17, 2007  |  Lawrence Jorge RS disse:

A indústria do software, pelo menos os que eu uso nem de perto acompanham a evolução do hardware… Nem precisa chegar nos chips multi-core… Ex. Softwares de computação gráfica com versões em 32 e 64 bits… Como eu tenho processador core2duo e 4gb ram, uso o xp64… Não sei se alguém vai acreditar… Mas a versão 64bits trava primeiro q a 32…Com muita memória e amplo espaço no HD para swapfile. Resumindo… Se eles não conseguem portar o software para 64bits… Imagina se vão conseguir tirar proveito da tecnologia multi-core… Como leigo no assunto “hardware” eu espero que vocês da intel façam as coisas funcionarem sem depender de softwares… Se depender das software houses (o ex q citei acima é produto de uma das maiores do mundo) a coisa não vai funcionar e vamos constatemente ver o programa congelar e o trabalho ficar por fazer… Abraços

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